Em Busca da Cura

“Querer sentir a dor não é uma loucura. Fugir da dor é fugir da própria cura.”

Essa é a última estrofe de música dos Titãs, o resto vem logo.

O povo (que não descobriu os milagres do Engov) diz por aí que ressaca se conserta bebendo; eu ainda afirmo que contusão se resolve jogando; soluço não passa prendendo a respiração nem tomando susto, só na hora que se esquece; dor no saco vai embora quando se usam as bolas.

Branco Mello / Marcelo Fromer / Tony Bellotto / Charles Gavin

Não Fuja da Dor

Não tome comprimido
Não tome anestesia
Não há nenhum remédio
Não vá pra drogaria
Deixe que ela entre
Que ela contamine
Que ela te enlouqueça
Que ela te ensine
Não fuja da dor
Não fuja da dor
Não tome novalgina
Não tome analgésico
Nenhuma medicina
Não ligue para o médico
Deixe que ela chegue
Que ela te determine
Que ela te consuma
Que ela te domine
Não fuja da dor
Não fuja da dor

Tem mais é que passar por tudo, curtir cada pedaço de incômodo, de desconforto, de mal. Se é assim que se supera todo mar de merda, surfar num copo de água com sal não é receio ou pessimismo de preparar-se pro pior, mas transferir de escala tudo que se sente.

Em micro ou macro as sensações variam não só nisso. Mas tanto faz, a questão é que quem sente é sempre o mesmo eu, o mesmo tu – o mesmo coração, que deve ser sempre afogado em qualquer porção de qualquer coisa, doce ou amarga.

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