Há como não foder a própria vida após uma puta cagada?

Nesta semana duas ocorrências policiais, de natureza extremamente semelhante, têm sido abordadas pela mídia: uma, no Paraná, aconteceu na madrugada do último domingo, 13/07, e contou com uma ação desastrosa de uma dupla de policiais, que assassinou, por engano, uma mulher de 20 anos no interior de um carro, confundido com outro que protagonizava uma fuga; a outra, no Rio de Janeiro, já aniversaria exatamente hoje, tem centro no desaparecimento de uma engenheira, e ainda não apresenta conclusão. Já faz um mês que a moça sumiu, após cair com seu carro numa ribanceira na Barra da Tijuca, e todo um trabalho de buscas vem sendo realizado, mas a puta falta de informações tem provocado um sofrimento sem tamanho nos pais da vítima.

As semelhanças por enquanto estão somente no fator ‘carro’, mas a presença de perfurações por balas de provável origem armas da PM no carro da carioca, marcas de sangue encontradas em viaturas, a descontinuidade de informações apresentadas pelos policiais que primeiro chegaram ao local, e ainda outros indícios (leia mais sobre o caso aqui) fazem com que as investigações comecem a se voltar contra um grupo de policiais suspeitos de atuação.

Agora sim, temos o fator ‘polícia’ em ambas as situações, mas também sentimos um forte cheiro do fator ‘homicídio’, que traz também o fator ‘inocência’. O negócio é que pra mim está mais do que claro que a polícia carioca está metida no segundo fato. Ou alguém atirou, da mesma forma que no Paraná, e matou a mulher, ou mataram depois que foram atrás do carro, ou atiraram, não mataram, e ela morreu no acidente, ou então os policiais não fizeram nada e eu estou falando merda à toa aqui. Como não admito a última hipótese, continuarei.

Já indicadas as semelhanças dos casos, é fácil chegar a um ponto de divergência que arrebenta com o pau do manoel. Os policiais paranaenses entraram na contramão com sua viatura, deixaram de pegar o verdadeiro alvo da perseguição e ainda mataram por nada uma jovem absolutamente inocente. No entanto, quando abordaram o motorista do carro, amigo da jovem, começaram a perceber o engano. Quando encontraram-na morta, ou pelo menos inconsciente, com um tiro na cabeça, um comentou com o outro: “Fizemo cagada!”. E aí admitiram a puta cagada, e então estão presos, o estado do Paraná terá que pagar por isso, os pais e amigos da jovem choram sua morte, que não tem como ser solucionada. Já os policiais do Rio, e eu quero mais é que essa porra de investigação se foda, porque pra mim é tudo culpado, “é 100%” e “então senta o dedo nessa porra” preferiram esconder o que fizeram, o que quer que tenham feito, e estão felizes e sorridentes por aí, enquanto os pais e amigos da engenheira não choram sua morte, afinal, a esperança ainda existe. Logo, muito melhor esconder a merda toda, não?

Porra nenhuma, é claro. Os caras do primeiro caso foram imbecis, mostraram um despreparo sem tamanho, têm que pagar pelo crime e tudo mais. Mas chegou uma hora em que eles resolveram abortar a cagada, pular fora da barca, retornar do caminho errado. Querendo ou não, foram Homens para admitir o que fizeram, com certeza estão arrependidos, ergueram a cabeça e fizeram a coisa certa no final. Não importa que tenham feito a coisa errada por muito tempo, desde perseguir o carro errado até disparar contra inocentes, tomaram a decisão correta a tempo. E a propósito, sempre se está dentro do tempo, até o final dos tempos, logo, nunca é tarde.

Os homens do segundo caso, que pra mim são um bando de viados e filhos da puta, estão deixando de pagar pelo que fizeram, mas um dia vão pagar, isso é certo. Esses cagões estão fazendo os pais da vítima sofrerem muito mais do que se já a tivessem enterrado, não tenho a menor dúvida. Fora o gasto que o Estado tem que ter pra continuar uma investigação que já poderia ter terminado, e se bobear, com pena menor pra todos. Eu gostaria do fundo do coração de mandar uns mentecaptos desses tomarem no olho de seus cus. E acho que ainda não expressei toda minha revolta contra esse tipo de gente covarde.

"Não vivo mais, sou um morto-vivo". Que beleza, não!? Nem devem estar sofrendo, afinal, quem garante que ela está morta? E se estiver, foi apenas um <em>acidente</em>.

(Pai de engenheira desaparecida: "Não vivo mais, sou um morto-vivo".) Nem devem estar sofrendo, afinal, quem garante que ela está morta? E se estiver, foi apenas um acidente.

E esse tal de “fazer a coisa certa” realmente enche o saco às vezes. Tem hora que dá vontade de foder com todo mundo, de tirar vantagem em tudo, de sacanear até velhinhos cegos e cotocos. Mas isso não pode prevalecer nem fodendo. Quando se começa a mentir, ou a fazer qualquer tipo de cagada, o segredo é voltar atrás o mais rápido possível. Mesmo que a merda já esteja no passo de nº 10, na próxima merda já vai ser mais fácil voltar no passo de nº 9, e assim vai. E nem é preciso se preocupar com os outros pra deixar de ser um filho da puta, pois temos a chamada “consciência”, que pesa até mesmo pro mais egoísta dos primatas, e invariavelmente se alivia quando se faz a coisa certa por aí.

Sem querer que todos sejam anjinhos, ou manés bundas-de-peru, mas torcendo por um mundo com mais respeito aos valores éticos, porque isso é mais fácil que jogar no 4-4-2, finalizo.

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