O Papel Higiênico

E o papel higiênico, hein… Tão menosprezado… É sempre bem barato, independentemente da marca, sempre sai do saco – plástico, claro – e vai pra onde todo mundo sabe, depois lixo ou esgoto. Deve ser terrível ir pra onde detrito digestivo vai. Quando não é isso é pra onde absorvente usado, escova de dente velha, band-aid e unha cortada vão. E há também destinos inusitados, como teto e paredes de banheiros, geralmente de escolas, gramados de futebol. Hum… Essa deve ser a glória do papel, o status máximo a que pode chegar. Toda aquela atmosfera, aquela gritaria e tchibum! – Lá vai o rolo se desenrolando rumo à relva sagrada. E depois aquelas folhas devem ser limpas pelo pessoal dos estádios, e quem sabe até vão pro lixo comum, pra reciclagem! Ah, é uma porcentagem mínima, nem vale a pena considerar. Papel higiênico só toma, digo, limpa lá mesmo, e pronto.

Papelzinho, papelão, limpa meu rabinho, te guardo no coração.

Papelzinho, papelão, limpa meu rabinho, te guardo no coração.

Mas é bem complicada a situação do papel… Quando não é do branquinho, comunzinho, trivialmente chocho, é fresco demais, todo rebuscadinho. Quem compra do “standart” acha que quem compra do “ultrapowerextra comfortable” é homossexual. Já quem compra do “ultrapowerextra comfortable” é realmente homossexual.

Além do mais, toda criança se pergunta, isso quando não aos pais, por que lavar as mãos depois de defecar, pois se limpou com o papel, e não com os dedos ou a palma da mão. Quando é pra urinar – menino, claro – ainda toca o que não deve estar lá muito limpo, mas poxa, e o papel higiênico? Então desde moleque acho que desenvolvo esse apego a tal utensílio.

Mas o desprezo ao rolinho não pára aí – o crescer faz o defecar deixar de ser aquele ritual sagrado. Antes mesmo do papel era tudo até mais importante. Havia a fralda, havia a troca, havia a mãe, e até o pai, se bobear. Depois continuou um processo respeitável – alcançar o vaso, lembrar se tinha que ter levantado a tampa, se o assento acolchoa as costas ou o bumbum, fazer força, cara feia, flexionar os bracinhos e aí sim pumba! – E aí ainda tinha a mãe, até o pai, se bobear. Um contato até terceirizado com o então inovador, nobre e indispensável papel. Em pouco tempo as etapas se automatizam, o pai e a mãe somem, mas o papel ainda está lá. Mas aí muitos já nem dobram mais, mandam ver uma embolação só. E depois quando se verifica se já está saindo limpinho (os que o fazem), é grande a má-vontade caso não haja sucesso e finalização do processo. Até reconheço achar uma maravilha quando paro na primeira tacada, quando sai tudo sem sujar nada. Mas isso não é algo contra o papel, é o capitalismo, que faz as vidas de todos mais corridas.

Imagino como deve ser a indústria do papel higiênico. Operário de fábrica de papel higiênico não fala que trabalha em fábrica de papel higiênico. Fornecedor de celulose pra fábrica de papel higiênico não fala que fornece pra fábrica de papel higiênico. Nem dono de fábrica de papel higiênico deve falar que é dono de fábrica de papel higiênico. É empresário e só. Mas até que vêm todos, desde o mais simplório ao mais estribado, bem enroladinhos, simetricamente perfeitos, dificilmente encontram-se defeitos. Dá até pra ter dúvidas quanto ao carinho dos envolvidos na produção, mas todo o contexto histórico de tabu e de pouco-caso derruba as esperanças quanto a uma possível consideração ao papel.

E quando se diz “papel”, logo vem à cabeça a imagem de uma folha A4, que será usada em uma impressora laserjet e guardará preciosas informações. Mas o papel higiênico… Ninguém escreve nele. É… Meu pai costumava levar no porta-luvas do carro um rolo, e quando precisava anotar algum telefone que via em outdoors, ou anotar a placa de um carro parecido com o dele que havia sido roubado, lançava mão do referido. E sei lá, acho que realmente era o único propósito pra ele, não quero imaginar que meu pai parava o carro em qualquer lugar pra defecar quando sentia vontade. Mas ainda assim, não serve pra guardar anotações. Desmancha-se facilmente, não tem uma forma muito definida, é muito frágil. Fora seu cheiro (limpo, é claro), que é horrível, tem um algo de sufocante, exala um odor seco, terrível mesmo.

Caramba, é uma merda esse papel. Sim, isso pode até ser bom, analmente falando, mas a sociedade precisa abrir mais a cabeça, pensar além do ânus, não é? Por que ninguém se lembra do papel higiênico? Por que não há investimentos no ramo dos papéis higiênicos? Porque o papel é ruim mesmo, que droga. Papel imbecil. Deixa pra lá, não dá mesmo pra defender. Papel higiênico do sul é em folha. Ou algo assim, pra quem me entender.

2 opiniões sobre “O Papel Higiênico

  1. Têm uns papeis-higienicos tão gostosos,tãaao fofinhos!
    acho que é o personal!
    voce que não tá sabendo procurar!
    XD
    acho que o pampers!
    não!
    pampers é fralda!
    hahaha
    é personal!

    =)

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