Olimpíada de Pequim

As Olimpíadas de Pequim não aconteceram. É, uai. Só rolou uma mesmo. É no singular que se diz – “Olimpíada”. “Ahhhh, então todo mundo que fala “Olimpíadas” fala errado?” – Eita… É, tá, é por aí. Beleza.

Mas além disso, aprendi muita coisa enquanto estive lá, do outro lado do mundo, fazendo a cobertura presencial, de todos os eventos, inclusive os simultâneos. Passei 48h num avião por algo que valeu a pena, com certeza.

Os Anéis Olimpicos, cada um representando uma classe das medalhas distribuidas

Os Anéis Olímpicos, cada um representando uma classe das medalhas distribuídas

No entanto, ao chegar aqui no Brasil senti o clima da galera – todo mundo caindo de pau em cima da nossa delegação. Se por um lado dá vontade de ir com a maré e xingar o boiolinha da ginástica, o asno do futebol, o bosta do judô, e ainda incrementar com um discurso pseudo-consciente (coisa de cult, mano…) a respeito da falta de investimentos do país no Esporte, e blablablá, por outro dá vontade de mandar é o povo todo tomar no olho do cu e cobrar: “Por que não aprendeu você a pular, correr e nadar e foi lá trazer um ouro?”/”O que tem feito pela sua família, pelos seus colegas de trabalho nos últimos dias? Você tem que ter preocupações maiores na sua vida, não é possível!”.

Mas não dá pra dizer que fico em cima do muro, só mesclo os pontos fortes de cada posição:

A importância que o Esporte recebe enquanto algo além de recreação e/ou futebol aqui no Brasil é realmente pequena. Ainda mais quando comparada à recebida nos papa-medalhas EUA e China, por exemplo. Reconheçamos, ok. Mas daí a ficar pagando pau, dedicando discussões calorosas, queimando neurônios por causa disso há uma grande distância. Sou completamente contra qualquer manifestação improdutiva, gerada apenas por direcionamento ignorante de massa, ou de massa ignorante, ou ambos.

Vamos torcer, vamos vibrar, vamos nos entreter, é isso aí. Mas vamos trabalhar, estudar, cuidar cada um de sua vida, encontrar preocupações mais frutíferas que um evento do outro lado do mundo que só muda a vida de quem participa diretamente, indireta talvez, de alguns. Mas a minha não mudou. Não mesmo. E nem mudará se especular sobre o ouros que não vieram

E sobre ouros, ridículos papéis foram desempenhados em torno deles. Teve gente que ganhou e veio com discurso de que a medalha é do país, agradecendo a 190 milhões de pessoas – papo mole do caralho! A medalha é tua, rapá! Agradecer ao Brasil todo não é mostrar patriotismo, é populismo. Mas teve gente que perdeu e chorou. Chorar é normal, decepções e frustrações muitas vezes fazem lágrimas escorrerem sem que seu produtor consiga segurar. Mas chorar de choramingar, de nhenhenhé, de “desculpa, Brasil”, ah, já é ser bundão, cuzão demais da conta.

Gostei demais de acompanhar diversas modalidades, diversos atletas. Foi bem bacana mesmo. Adoro esportes, competições mexem comigo também. E só.

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