O Calor de uma Perna

Voltava de ônibus pra casa. Numa noite que não era noite. Daquelas de horário de verão, sabe? Oito horas e sol no céu. Peguei o ônibus talvez cheio. Meia-dúzia em pé é cheio? Férias da Engenharia, saí com calma, fugi do rush.

Voltava do trabalho, ou melhor, do estágio. Num cansaço considerável. Daqueles que não te despejam na cama, mas te encostam em qualquer parede. Fiquei sentado o dia todo. Nada de especial aconteceu naquele, fora o inspira-diástole/sístole-expira que me mantém especialmente vivo.

É, eu também gostei da foto.
Veja a imagem em seu contexto original na página: http://www.calerdoses.blogger.com.br/

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Cante “Garota de Ipanema” que Eu Carimbo

Mais uma crônica não-minha. Mais uma sensacional, tal qual o autor.

“‘Apertem os cintos. Em instantes pousaremos no Aeroporto Internacional de Miami’, dizia a comissária de bordo, com aquela voz cantada e sensual.

A ansiedade toma conta e a adrenalina sobe. Será que vamos passar pela imigração? É claro, temos documentos, passaportes válidos, visto americano, cartas-convites, declarações, fotos do Luda, do Papa, do Bush, tudo. E o mais importante: temos algumas frases prontas e decoradas em Inglês para falar para o guarda. ‘Estamos indo para Minneapolis, participar do projeto Songs of Hope 2005, para o qual fomos convidados.’ ‘Temos as cartas-convites’. ‘A Paula é minha filha e o Bruno é meu amigo’. ‘Vamos ficar quarenta e dois dias e voltaremos ao final do projeto, no dia primeiro de agosto’. ‘The book is on the table!’… ‘Não ia haver problema nenhum’ – dizia eu para mim mesmo em pensamento, mas no fundo, no fundo… (…)”

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Sobrevivi

Em época de Pop Rock Brasil (festival de música como outro qualquer, relatos portanto genéricos, para sentirem-se bem adeptos tanto do Axé Brasil, como do Rock in Rio, como do Axé in Lisboa, como do Woodstock) aqui em BH, lanço mão desta pérola sensacional:

“Sem dúvida, meu amigo. Pensei não estar aqui hoje para lhe escrever.

Antes de ler, prometa-me que não vai rir da desgraça do seu amigo. Confio em você. Não ria, por favor. É sério. (…)”

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O Papel Higiênico

E o papel higiênico, hein… Tão menosprezado… É sempre bem barato, independentemente da marca, sempre sai do saco – plástico, claro – e vai pra onde todo mundo sabe, depois lixo ou esgoto. Deve ser terrível ir pra onde detrito digestivo vai. Quando não é isso é pra onde absorvente usado, escova de dente velha, band-aid e unha cortada vão. E há também destinos inusitados, como teto e paredes de banheiros, geralmente de escolas, gramados de futebol. Hum… Essa deve ser a glória do papel, o status máximo a que pode chegar. Toda aquela atmosfera, aquela gritaria e tchibum! – Lá vai o rolo se desenrolando rumo à relva sagrada. E depois aquelas folhas devem ser limpas pelo pessoal dos estádios, e quem sabe até vão pro lixo comum, pra reciclagem! Ah, é uma porcentagem mínima, nem vale a pena considerar. Papel higiênico só toma, digo, limpa lá mesmo, e pronto.

Papelzinho, papelão, limpa meu rabinho, te guardo no coração.

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Formandos

Elias era eloqüente. Gostava de dirigir e foi ser taxista.

Pedrinho era bom garoto. Gostava de dirigir, virou Pedrão e foi ser caminhoneiro.

Manuel era esperto. Gostava de dirigir, virou trocador de ônibus e sonha em um dia ser motorista.

Hugo era preguiçoso. Gostava de dirigir, virou chofer de madame.

Luciano era idealista. Gostava de dirigir, virou instrutor de auto-escola.

Diógenes era visionário. Gostava de dirigir, endividou-se pra comprar uma frota de automóveis. Hoje os aluga, e quando tiver retorno financeiro, investirá em sua habilitação.

Joca era pobre. Gostava de dirigir, todo dia fazia fé na sena. Outro tentou a raspadinha e ganhou um carro. Nunca deu partida, a gasolina tá cara.

Lucas era filho de pai rico. Gostava de dirigir, fez 3 anos de cursinho pra passar no vestibular. Passou, ficou surpreso com o carro de presente. Largou a Administração no 2º período e anteontem foi pego pelo bafômetro.

Marieta era garotinha. Gostava de dirigir, obviamente não sabia muito. Arrumou emprego, ganhava até bem. Comprou Fusca, barato e à vista – já pagou cinco Jaguares consertando.

Ayrton era megalomaníaco. Gostava de dirigir, e hum… Tipo “ganhou o mundo”, sabe como é, né…

Fulano era como eu nem sei. Gostava de dirigir, começou a faculdade e comprou um carro.